No sertão nasce a esperança
Entre a roça e o chão batido,
A escola brota da luta
Do povo nunca vencido,
Educação do Campo é força
De um saber comprometido.
Não é escola distante
Nem saber imposto à mão,
É ensino que se constrói
Com o povo e sua visão,
Respeitando a vida simples
E a história do chão.
Na enxada mora a ciência,
No plantio há matemática,
Na colheita a paciência
É lição bem pedagógica,
Cada gesto do camponês
É aula viva e didática.
A Educação do Campo nasce
Da luta e da organização,
Contra o êxodo forçado
E a negação da formação,
É direito conquistado
Com suor e união.
Não se ensina só a letra
Nem apenas o contar,
Ensina a ler a terra
E com ela dialogar,
Pois quem conhece o seu chão
Aprende a se libertar.
É Paulo Freire que inspira
Com sua pedagogia,
Ensinar não é impor
Mas gerar autonomia,
Aprender é um ato político
De amor e rebeldia.
A escola no meio rural
Tem cheiro de chão molhado,
Tem o canto do galo cedo
E o saber compartilhado,
É espaço de resistência
E futuro semeado.
Na alternância do saber
Tempo-escola, tempo-chão,
O estudante compreende
O valor da produção,
Unindo teoria e prática
Na mesma formação.
A família é parte viva
Do processo educador,
Ensina com a experiência
Do trabalho e do labor,
Educar no campo é tarefa
De um coletivo sonhador.
Não é favor nem caridade
Levar escola ao sertão,
É dever do Estado justo
Garantir educação,
Com respeito à identidade
E à diversidade do chão.
O currículo se organiza
Com a vida como lição,
Tem cultura, tem memória
E a força da tradição,
Tem reza, tem canto e festa
No projeto da educação.
A juventude do campo
Quer ficar, quer produzir,
Quer estudar sem abandonar
O lugar onde aprendi,
Educação é raiz forte
Que ajuda a florir.
Contra o latifúndio do saber
Que exclui e oprime o irmão,
Surge a escola camponesa
Com justiça e inclusão,
Construindo outro modelo
De ensino e nação.
A terra não é mercadoria
É vida, é bem comum,
E a escola ensina isso
Com clareza e jejum,
Formando consciência crítica
Para um mundo mais justo e algum.
A agroecologia ensina
Cuidar do chão com amor,
Produzir sem destruir
Respeitando o Criador,
Educação do Campo é ponte
Entre ciência e valor.
Cada escola que resiste
É um ato de coragem,
Contra o fechamento injusto
E a exclusão sem margem,
Ensinar no campo é lutar
Contra toda sabotagem.
O professor camponês
É também semeador,
Planta sonhos, colhe saber
Com paciência e ardor,
Sua sala é a vida
Seu giz é o clamor.
Tem saber ancestral
Que o livro não registrou,
Mas vive na fala antiga
De quem muito observou,
Educar é reconhecer
O que o povo ensinou.
A escola do campo dialoga
Com a lua e o calendário,
Sabe o tempo da chuva
E o valor do cenário,
Educar é respeitar
O ritmo comunitário.
Não se forma só para o mercado
Mas para a emancipação,
Educação é instrumento
De justiça e transformação,
É caminho de igualdade
E verdadeira libertação.
As mulheres do campo ensinam
Com coragem e firmeza,
Que educar também é luta
Por direitos e clareza,
Contra o machismo e a opressão
Erguem saber e beleza.
O campo é plural e diverso
Tem quilombo, indígena e sertão,
Educação respeita as diferenças
E valoriza cada nação,
Pois diversidade é riqueza
Na construção da educação.
Não queremos escola urbana
Empurrada pro interior,
Queremos projeto próprio
Com identidade e valor,
Que dialogue com a terra
E com o trabalhador.
A Educação do Campo ensina
Que ninguém caminha só,
Que o saber é partilhado
E o coletivo é maior,
Pois a união do povo
Faz cair qualquer nó.
Cada criança camponesa
Tem direito a sonhar,
Sem precisar deixar a terra
Pra poder estudar,
Educação é ponte viva
Pra permanecer e avançar.
O campo também produz ciência
Produz arte e reflexão,
Não é atraso nem silêncio
É potência e criação,
Educar é romper o estigma
Com saber e ação.
A escola do campo resiste
Mesmo em tempos de desmonte,
É trincheira de esperança
E farol no horizonte,
Iluminando caminhos
Como firme e forte ponte.
Educação do Campo é semente
Que o povo insiste em plantar,
Mesmo em solo pedregoso
Ela insiste em brotar,
Porque onde há consciência
A vida vai prosperar.
Que esse cordel seja grito
De luta e afirmação,
Pelo direito à educação
Com justiça e inclusão,
No campo, na roça e na serra
Ecoe essa canção.
Enquanto houver camponês
Defendendo seu lugar,
A Educação do Campo vive
E não vai se calar,
Pois educar no chão da vida
É um jeito de libertar.