sábado, 10 de janeiro de 2026

O Pão que Nasce das Mãos

 Camila, este pão é poesia,

Feito em verso, fé e calor,

Cada cheiro que dele nasce

Tem o gosto sincero do amor.


Não é só farinha e fermento,

É cuidado, é dom, é missão,

É oração que vira alimento

Quando passa por tuas mãos.


Tuas mãos são bênção na massa e onde for,

São serviço, partilha e dom,

Transformam o simples em graça

E o trabalho em louvor bom.


A mesa fica mais bonita

Quando o pão chega a sorrir,

Pois quem cozinha com a alma

Faz o céu aqui florir.


Te agradeço pelos teus dons,

Pelo gesto que acolhe e cuida,

Que teu pão seja sempre ponte

Entre a fé, a esperança e a vida.


E que Deus te cubra de bênçãos,

No forno, na casa e no chão,

Pois quem alimenta com amor

Evangeliza com as mãos.


 “O Senhor abençoará o fruto do teu ventre, o fruto da tua terra,

o teu cereal, o teu vinho e o teu azeite.”

(Deuteronômio 7,13)


 “Tudo o que fizerdes, fazei-o de coração,

como para o Senhor.”

(Colossenses 3,23)

Educação do Campo: Construindo nossa história


No sertão nasce a esperança

Entre a roça e o chão batido,

A escola brota da luta

Do povo nunca vencido,

Educação do Campo é força

De um saber comprometido.



Não é escola distante

Nem saber imposto à mão,

É ensino que se constrói

Com o povo e sua visão,

Respeitando a vida simples

E a história do chão.



Na enxada mora a ciência,

No plantio há matemática,

Na colheita a paciência

É lição bem pedagógica,

Cada gesto do camponês

É aula viva e didática.



A Educação do Campo nasce

Da luta e da organização,

Contra o êxodo forçado

E a negação da formação,

É direito conquistado

Com suor e união.



Não se ensina só a letra

Nem apenas o contar,

Ensina a ler a terra

E com ela dialogar,

Pois quem conhece o seu chão

Aprende a se libertar.



É Paulo Freire que inspira

Com sua pedagogia,

Ensinar não é impor

Mas gerar autonomia,

Aprender é um ato político

De amor e rebeldia.



A escola no meio rural

Tem cheiro de chão molhado,

Tem o canto do galo cedo

E o saber compartilhado,

É espaço de resistência

E futuro semeado.



Na alternância do saber

Tempo-escola, tempo-chão,

O estudante compreende

O valor da produção,

Unindo teoria e prática

Na mesma formação.



A família é parte viva

Do processo educador,

Ensina com a experiência

Do trabalho e do labor,

Educar no campo é tarefa

De um coletivo sonhador.



Não é favor nem caridade

Levar escola ao sertão,

É dever do Estado justo

Garantir educação,

Com respeito à identidade

E à diversidade do chão.



O currículo se organiza

Com a vida como lição,

Tem cultura, tem memória

E a força da tradição,

Tem reza, tem canto e festa

No projeto da educação.



A juventude do campo

Quer ficar, quer produzir,

Quer estudar sem abandonar

O lugar onde aprendi,

Educação é raiz forte

Que ajuda a florir.



Contra o latifúndio do saber

Que exclui e oprime o irmão,

Surge a escola camponesa

Com justiça e inclusão,

Construindo outro modelo

De ensino e nação.



A terra não é mercadoria

É vida, é bem comum,

E a escola ensina isso

Com clareza e jejum,

Formando consciência crítica

Para um mundo mais justo e algum.



A agroecologia ensina

Cuidar do chão com amor,

Produzir sem destruir

Respeitando o Criador,

Educação do Campo é ponte

Entre ciência e valor.



Cada escola que resiste

É um ato de coragem,

Contra o fechamento injusto

E a exclusão sem margem,

Ensinar no campo é lutar

Contra toda sabotagem.



O professor camponês

É também semeador,

Planta sonhos, colhe saber

Com paciência e ardor,

Sua sala é a vida

Seu giz é o clamor.



Tem saber ancestral

Que o livro não registrou,

Mas vive na fala antiga

De quem muito observou,

Educar é reconhecer

O que o povo ensinou.



A escola do campo dialoga

Com a lua e o calendário,

Sabe o tempo da chuva

E o valor do cenário,

Educar é respeitar

O ritmo comunitário.



Não se forma só para o mercado

Mas para a emancipação,

Educação é instrumento

De justiça e transformação,

É caminho de igualdade

E verdadeira libertação.



As mulheres do campo ensinam

Com coragem e firmeza,

Que educar também é luta

Por direitos e clareza,

Contra o machismo e a opressão

Erguem saber e beleza.



O campo é plural e diverso

Tem quilombo, indígena e sertão,

Educação respeita as diferenças

E valoriza cada nação,

Pois diversidade é riqueza

Na construção da educação.



Não queremos escola urbana

Empurrada pro interior,

Queremos projeto próprio

Com identidade e valor,

Que dialogue com a terra

E com o trabalhador.



A Educação do Campo ensina

Que ninguém caminha só,

Que o saber é partilhado

E o coletivo é maior,

Pois a união do povo

Faz cair qualquer nó.



Cada criança camponesa

Tem direito a sonhar,

Sem precisar deixar a terra

Pra poder estudar,

Educação é ponte viva

Pra permanecer e avançar.



O campo também produz ciência

Produz arte e reflexão,

Não é atraso nem silêncio

É potência e criação,

Educar é romper o estigma

Com saber e ação.


A escola do campo resiste

Mesmo em tempos de desmonte,

É trincheira de esperança

E farol no horizonte,

Iluminando caminhos

Como firme e forte ponte.



Educação do Campo é semente

Que o povo insiste em plantar,

Mesmo em solo pedregoso

Ela insiste em brotar,

Porque onde há consciência

A vida vai prosperar.



Que esse cordel seja grito

De luta e afirmação,

Pelo direito à educação

Com justiça e inclusão,

No campo, na roça e na serra

Ecoe essa canção.



Enquanto houver camponês

Defendendo seu lugar,

A Educação do Campo vive

E não vai se calar,

Pois educar no chão da vida

É um jeito de libertar.

Lourdes é uma escola : Lições pedagogicas para a sala de aula

Livania Maria e João Mota


Lourdes nos ensina que educar é mais do que transmitir conteúdos: é cuidar de processos, respeitar tempos e acreditar no potencial de cada pessoa. Assim como em uma escola, em Lourdes não há pressa, não há imposição e não há respostas prontas. Há escuta, acolhida, acompanhamento e esperança.


A primeira grande lição da pedagogia de Lourdes é a escuta atenta. Maria escuta Bernardete com delicadeza, sem julgamentos, sem desqualificar sua fala ou sua condição. Na sala de aula, essa escuta se traduz na capacidade do educador de perceber o aluno para além do desempenho escolar: suas histórias, seus silêncios, suas dificuldades e seus sonhos. Ensinar começa quando o professor se dispõe a ouvir.


Lourdes também nos ensina o valor do processo pedagógico. As aparições não acontecem todas de uma vez, nem trazem tudo explicado. Há um caminho, feito de perguntas, dúvidas, tentativas e amadurecimento. Da mesma forma, a aprendizagem não é imediata. Cada estudante tem seu ritmo, seu tempo e sua forma de aprender. Educar é acompanhar, não apressar.


Outra lição fundamental é o protagonismo do educando. Bernardete não é substituída, silenciada ou conduzida por outros; ela é sujeito da experiência. Na escola, o aluno não deve ser apenas receptor de informações, mas protagonista do conhecimento, participante ativo da construção do saber. A pedagogia de Lourdes nos lembra que ninguém aprende de verdade quando é apenas espectador.


A pedagogia de Lourdes é também uma pedagogia do cuidado e da dignidade. Bernardete é uma jovem pobre, doente, invisibilizada socialmente, mas escolhida e valorizada. Na sala de aula, isso nos provoca a olhar com atenção especial para aqueles que mais precisam: os que enfrentam dificuldades, os que carregam vulnerabilidades, os que muitas vezes são rotulados ou excluídos. Educar é incluir, é cuidar, é afirmar a dignidade de cada estudante.


Há ainda a pedagogia da esperança. Lourdes nasce como lugar de cura, não apenas física, mas humana e espiritual. A escola também deve ser esse espaço onde o aluno acredita que pode aprender, crescer e transformar sua realidade. Quando o educador acredita no estudante, mesmo quando ele próprio já desistiu de si, nasce um ambiente verdadeiramente educativo.


Por fim, Lourdes nos ensina que toda educação é também um ato de humanização. Ensinar não é apenas cumprir currículo, mas formar pessoas, fortalecer vínculos e despertar sentidos. Assim como em Lourdes, a verdadeira aprendizagem acontece quando o conhecimento toca a vida e gera transformação.


Que, neste início de ano letivo, possamos olhar para nossas salas de aula como verdadeiras Lourdes pedagógicas: espaços de escuta, cuidado, processo, protagonismo e esperança. Que cada educador seja mediador desse encontro transformador entre saber e vida.

sexta-feira, 8 de março de 2024

Mulher por Joao Mota



Num mar de lutas, firmes e serenas, 

Mulheres, hoje é vosso dia,

Que a luz da igualdade vos alumia,

Em cada passo, histórias amenas.


És força, és voz, és alma plena, 

Desafias fronteiras, és valia, 

Em cada gesto, a esperança irradia, 

Pela liberdade que vos condenas.


Dos lares aos palcos, vosso feito, 

Ecoa a voz da vossa jornada, 

De conquistas e sonhos desfeitos.


Mulher, és o símbolo da caminhada, 

Na luta por direitos, vosso direito, 

Mulher, és luz, és flor, és sagrada.

segunda-feira, 4 de março de 2024

 


 

A lenda dos Alvoradares

 

Há muito tempo, em uma terra distante onde os raios de sol dançavam sobre as montanhas e os rios sussurravam segredos antigos, havia uma tribo ancestral conhecida como os "Alvoradares". Eles eram um povo pacífico, cujas tradições e sabedoria eram tão vastas quanto as estrelas no céu noturno.

Os Alvoradares eram uma mistura harmoniosa de diferentes etnias e raças. Suas crenças ensinavam que a diversidade era a essência da beleza da vida e que cada indivíduo, independentemente de sua origem, possuía um lugar sagrado dentro da teia da existência.

Por gerações, os Alvoradares prosperaram em sua terra, vivendo em paz e harmonia com os outros povos e com a natureza ao seu redor. Suas aldeias eram um símbolo de cooperação e respeito mútuo, onde todos compartilhavam alegrias e tristezas, celebrações e desafios.

No entanto, uma sombra escura começou a se espalhar sobre a terra dos Alvoradares. Um reino vizinho, governado por um rei ganancioso e ambicioso, viu a riqueza e a harmonia dos Alvoradares como uma ameaça ao seu poder. Ele lançou um ataque surpresa contra as aldeias dos Alvoradares, buscando conquistar suas terras e subjugar seu povo.

Os Alvoradares ficaram chocados com a violência repentina, mas eles se recusaram a ceder ao ódio e à vingança. Em vez disso, eles se voltaram para as antigas tradições de sua tribo, buscando orientação e força na sabedoria dos anciãos.

Guiados pelo espírito da unidade e compaixão, os Alvoradares decidiram resistir à opressão do rei tirano. Eles ergueram suas lanças não como armas de destruição, mas como símbolos de determinação e coragem. Juntos, eles defenderam suas aldeias, protegendo não apenas seu lar, mas também os valores de respeito e igualdade que tanto valorizavam.

Enquanto a batalha rugia, algo notável começou a acontecer. Pessoas de diferentes origens étnicas e raciais, tanto Alvoradares quanto aqueles que se juntaram à sua causa, lutavam lado a lado, unidos por um propósito comum. A beleza da diversidade florescia mesmo no calor da batalha, enquanto a solidariedade transcendia as diferenças superficiais.

Finalmente, após muitas provações e tribulações, os Alvoradares emergiram vitoriosos. O rei tirano foi derrotado e sua tirania chegou ao fim. Mas mais importante do que a vitória militar foi o legado deixado pelos Alvoradares.

Eles se tornaram um farol de esperança e inspiração para todos os povos da região, mostrando que a verdadeira força reside na união e na compreensão mútua. Sua lenda ecoou através das eras, lembrando a todos que, independentemente de nossas origens, somos todos ligados por laços de humanidade e que, juntos, podemos superar qualquer adversidade.


 


Cordel:Cultura é Arte

No sertão do Brasil, onde o sol reina forte, Onde o povo sofrido enfrenta toda sorte, Nasce uma forma de expressão tão bela, Que nos folhetos conta histórias, dela a mais singela.

É o cordel, poesia que o povo abraça, Nas mãos do repentista, ganha graça, Em rimas simples, versos cheios de emoção, Canta-se a vida, a luta e a tradição.

Cultura é arte, diz o cordel que se ergue, Nas letras impressas, a alma do Nordeste surge, Na xilogravura, o traço do artista se revela, Cada página, uma tela onde a história se espelha.

De feira em feira, o cordel é vendido, Nas mãos do povo, seu destino é decidido, Conta-se o cangaço, as festas, o amor, Em versos rimados, ganha-se calor.

Nas vielas das cidades, nas vilas do interior, O cordel é tesouro, é tradição, é valor, É a voz do povo, que clama por justiça, Que celebra a vida, que enfrenta a cobiça.

Cultura é arte, diz o cordel em sua sina, Em cada estrofe, uma obra-prima, Pois no coração do povo, o cordel se faz presente, E eterniza a alma dessa terra tão ardente.

Assim, entre rimas e versos, o cordel resplandece, Cultura é arte, e o Nordeste agradece, Por cada história contada, por cada poeta imortal, Cordel é cultura, é arte, é patrimônio nacional.


sábado, 6 de outubro de 2018

Inspiração


Quero saber o que escrever
Mas não sei o que fazer
Afinal busco respostas
Para o que pretendo ser

Nunca deixar de tentar
É o lema  para quem quer vencer
Afinal, não sei como
Mais querer é poder

Quando quero produzir
Escolho uma inspiração
Procuro um sentido
Para minha produção

Não sei se é razão
Pois só posso explicar
O sentido do coração
Para minha conclusão

O Pão que Nasce das Mãos

 Camila, este pão é poesia, Feito em verso, fé e calor, Cada cheiro que dele nasce Tem o gosto sincero do amor. Não é só farinha e fermento,...